Foi com essa frase do meu cunhado durante uma conversa sobre a desigualdade social no país que eu comecei a pensar no assunto e sobre os seus porquês.
Eu tenho 38 anos de idade dos quais, 18 investi na minha carreira profissional em multinacionais. Metade da minha vida. Passei por 10 empresas de diversas nacionalidades nesse período: estadunidenses, francesas, japonesas, alemãs e brasileiras. Tive a oportunidade de viajar, viver as diferentes culturas, não apenas desses países mas de muitos outros. Tive a oportunidade de viver os altos e baixos da economia do país dentro desse microcosmo. Medo, incerteza, ameaças, noites sem sono, pressão por resultados, envelhecimento precoce e muitas dúvidas do porque estava ali, vivendo tudo aquilo. Qual era o sentido do que eu fazia? Qual era o objetivo de perder todo o meu tempo naquelas atividades que para mim não faziam sentido nenhum? Quando comecei a me preparar para o futuro profissional, eu era feliz! Era alegre, vivia leve, tinha amigos, não tomava remédios para ansiedade, para depressão, não fazia terapia para tentar me curar da síndrome de Burnout... então, porque depois de "tudo melhorar", tinha ficado pior?
Aos 14 anos tive o meu primeiro "emprego": ajudante de pedreiro. Durante as férias da escola um colega de classe que morava dentro de uma outra escola da região, aonde o pai era zelador, me convidou para ajudar na reforma. Em troca, eu ganharia o almoço e 20 reais pelo dia. Aceitei e trabalhei dois dias. Aparentemente eu não era bom o bastante para a profissão (convenhamos: aos 14 anos os únicos músculos do meu corpo que deveriam funcionar eram aqueles que geram o sorriso e nenhum outro).
Aos 15, quando entrei para o colegial (atual ensino médio), comecei a trabalhar de verdade: meu primeiro emprego foi de office boy, em uma loja de vidros na Alameda dos Maracatins. Ganhava 15 reais por semana - um "dinheirinho para comprar um chocolatinho" como o dono da loja gostava de dizer. Nessa mesma época, comecei a trabalhar esporadicamente como monitor de buffet infantil, ganhando R$ 10,00 por festa. Trabalhava de finais de semana, fazendo 4 festas (2 no sábado e 2 no domingo) e faturando R$ 40,00/semana. Era um salário mensal de R$ 220,00.
Aos 16 percebi que o trabalho de monitor era mais condizente com a minha rotina escolar, além de ser mais rentável. Passei a trabalhar em outro buffet, que pagava R$ 5,00 a mais por festa, e no mês conseguia chegar a um salário de R$ 420,00, trabalhando de quarta a domingo. Mantive essa rotina de monitoria até os 19 anos.
Aos 19 eu passei no vestibular do Mackenzie para estudar Engenharia de Materiais e o meu pai, o gigante que me carregou nos ombros até a minha transformação de menino para homem, tinha condições financeiras de me manter estudando por apenas um semestre. Fizemos um acordo: ele pagaria a faculdade por seis meses e eu procuraria um emprego para conseguir me manter dali pra frente. Cinco meses após ter passado no vestibular, eu conseguia o meu primeiro emprego em uma multinacional como estagiário de segurança do trabalho e meio ambiente. A bolsa-auxílio era suficiente para me manter, pagando a faculdade e o transporte. E eu dei um azar desgraçado de ter sido pupilo de três grandes líderes e excepcionais seres-humanos. Até hoje tenho muito respeito e admiração por eles. Porque azar? O período no qual eu estive sob a batuta de Carlos Barbeiro, Ronaldo Munhoz e Renato Farinas foi, sem sombra de dúvidas, o melhor da minha carreira profissional. Foi o período no qual eu mais me desenvolvi como pessoa dentro de uma grande corporação. E convenhamos... quando se começa dessa forma, a barra fica alta demais. Quando fiz movimentações para outros lugares, tudo e todos pareciam sem graça, normais (ou ruins) demais. Por isso julgo um azar ter começado de tão alto nível. A partir dali, tive alguns bons líderes, outros péssimos... mas nunca encontrei pessoas com um senso de respeito e elevação espiritual como encontrei nesses três pais profissionais. Uma pena.
Mas porque a minha trajetória é importante? Como ela se encaixa na desigualdade social do país? Mostra que eu sou um coitado, que deveria virar mártir por ter começado a trabalhar aos 14 anos? Longe disso! Na época em que eu comecei, isso era normal, natural. Hoje pode não ser, mas não é motivo de pena... ao contrário! Toda a minha trajetória mostra que eu tive sorte. Muita sorte! Nasci numa família unida, de gente honesta e trabalhadora. Comecei a trabalhar aos 14, mas por opção e não por necessidade. Sempre pude conciliar o estudo e o trabalho, sem que um interferisse no outro. Além disso, sempre tive meus momentos de lazer... jogava basquete, que era uma das minhas paixões, tocava e cantava em bandas de punk rock... tinha uma vida simples, honesta e alegre. Mas apesar das dificuldades, eu nasci em um bairro bom da capital do estado de São Paulo, estudei a vida toda em escolas públicas, mas estudei, o que me deu a oportunidade de ter acesso a Universidade. Fiz Engenharia, Mestrado, MBA Executivo e agora estou estudando para me tornar Doutor em Nanotecnologia. Mas o que vivi dentro de algumas empresas, especialmente dentro da multinacional brasileira, é motivo para uma reflexão mais profunda. Eu nasci da classe média brasileira, mas ainda assim, da classe trabalhadora. Cheguei a ocupar um cargo de Diretor em uma multinacional, mas ainda assim permaneço na mesma classe média trabalhadora. Por mais um golpe de sorte na vida, eu não precisei chegar ao fim dela para ter a epifania de olhar pra trás e analisar os porquês disso tudo. O que esperamos do futuro? Porque e para o que estamos criando as nossas crianças? Para que serve uma formação profissional? Porque e para o que estamos formando profissionais? Porque se fala tanto em liderança, em humanizar os processos e continuamos sempre no funil em direção à rosca sem fim do moedor de gente que são o país e as instituições, que fazem o que bem entendem com quem bem entendem? E mais importante: quem é que está sentado na cadeira do departamento de Recursos Humanos das companhias? Será que esses departamentos deveriam ainda ser chamados de Recursos Humanos?
Fui atrás das respostas para essas tantas perguntas e cheguei à conclusão que quase todas convergem para alguns poucos eventos na nossa história. Não se engane achando que, caso você estude e trabalhe duro, poderá mudar de patamar social, mudar de vida. Talvez até ocorra uma permeabilidade de status dentro da própria classe média, melhorando-se ou piorando-se em patamares sutis, mas a verdade é uma só: no Brasil você nasceu em uma casta e vai pertencer a ela até o último dia. A forma como incutem na sua cabeça o mito da necessidade de ser produtivo 100% do SEU tempo é a forma que encontraram de te escravizar sem que isso levante suspeitas e questionamentos. Ao contrário: você se sente útil! Você se sente parte de algo maior! Mas a verdade é que você se tornou um escravo moderno feliz com os "benefícios" que recebe do seu empregador e entrega dia após dia um pedacinho a mais do seu valioso tempo e da sua valiosa saúde em troca da benevolência de não ser demitido (afinal de contas, se você não quiser trabalhar, há uma fila de outros escravos modernos, cegos pela ganância e pela ansiedade social gerada pelo consumismo desenfreado, prontos para atender ao chamado do senhor de engenho). Já parou pra pensar no que você realmente precisa para VIVER? Que você precisa TRABALHAR PARA VIVER e não o contrário?
Bem... para conceituar os meus questionamentos e começar a criar suposições a partir deles, vamos partir do conjunto de publicações do LinkedIn, do dia 07/05/2020, que tinham como base um estudo amplo do IBGE a respeito da distribuição de renda no país: "Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que cerca de 43% da soma das rendas mensais de todos os brasileiros — equivalente a R$ 213,4 bilhões (nota do autor: renda total) — ficou nas mãos dos 10% mais ricos em 2019. Os 10% mais pobres ficaram com apenas 0,8% do montante total. A pesquisa também revelou que o 1% mais rico do país, equivalente cerca de 900 mil pessoas, ganharam em média R$ 28.659 por mês em 2019. O valor equivale a 33,7 vezes a média obtida pela metade mais pobre da população. Os 5% mais pobres, que somam 4,5 milhões de pessoas, recebem em média R$ 165 por mês." O que isso significa? Significa que o nosso modelo de sociedade é baseado em castas: enquanto metade da renda total permanece nas mãos de pouco mais 10% da população, os outros 50% ficam disponíveis para se dividir entre os 90% restantes. Matematicamente (e humanamente) isso se chama desigualdade. Alguns tentarão te persuadir a acreditar que pensar dessa forma é querer criar uma sociedade medíocre. Mas a verdade é que, dar condições financeiras iguais para todos é a única forma de colocar a todos no mesmo ponto de partida e de oportunidades para a vida. Mas isso significaria retirar das mãos de poucos o muito que concentram. O que me leva a outro importante ponto na busca de conceituar os meus questionamentos...
A meritocracia. Embelezada, comemorada, pintada de ouro, esta é uma das maiores mentiras que te contaram desde que você se conhece por gente. E para provar que eu não estou forçando a barra nem tentando espalhar fake news (essa é a nova moda do desmerecimento pessoal quando não se tem mais argumentos para discutir de forma polida e sadia), assista ao vídeo aonde o biólogo, doutor em microbiologia pela USP, com pós-doutorado pela USP e pela Yale University, Átila Iamarino explica a meritocracia a partir de um ponto de vista antropológico. Para resumir, ela é só mais uma dessas palavras bonitas que encontraram para rotular aqueles que fazem tudo o que é mandado sem questionar e para "premiar" o bom comportamento. Na psicologia isso tem um nome: REFORÇO POSITIVO, conceito que surgiu na primeira metade do século 20, sendo parte integrante de um método desenvolvido pelo filósofo B. F. Skinner, chamado condicionamento operante. O método não funciona apenas com humanos: é usado, inclusive, no adestramento de cães, para que façam o que o dono manda. O psicólogo judeu estadunidense Stanley Milgram, que teve seus pais assassinados pelo regime nazista em campos de concentração, dedicou sua vida e seus estudos na busca dos porquês do povo alemão ter seguido sem julgamento de valor as vontades de um déspota genocida e lunático como Adolf Hitler. A partir dos seus estudos, Milgram descobriu que pelo menos 65% das pessoas (80% na Alemanha) sofrem de uma limitação à qual chamou de ESTADO DE AGENTE. Esta limitação leva uma pessoa a fazer algo sem pensar, apenas porque alguém com uma patente (ou um cargo) superior ordenou. Existe um filme que explica este estudo chamado O Experimento de Milgram, que vale a pena ser visto e revisto regularmente.
Meu sentimento de uns anos para cá, por experiência própria, pela observação das experiências de outras pessoas próximas e do conhecimento raso que possuo da história brasileira, é de que esse movimento de escravização humana vem crescendo e aflorando, repetindo a dinâmica de escravização do século XIX, mas em um espectro muito mais amplo. E antes de gerar furor com o termo escravização, entendam uma coisa: os escravos, do século XVI ao XIX eram "pagos" com comida e abrigo e "viviam muito melhor ali do que se estivessem na África, passando fome". Os escravos que construíram as pirâmides no Egito, 3.000 A.C., eram "pagos" com 6 litros de cerveja por semana para sustentar a sua família e "viviam felizes da vida arrastando blocos de arenito de 2 toneladas para construir a tumba de seu senhor e Deus na Terra". As duas afirmações anteriores contém sarcasmo e mostram claramente que não é porque você é PAGO pra fazer algo que isso signifique que seja justo! Reflita a respeito e vamos retomando o raciocínio... em seu livro de 1933, o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre apresenta a importância da casa-grande para a formação sociocultural brasileira e a da senzala como complementação da primeira. E como funcionava uma estrutura social com senhores de engenho e escravos?
A primeira geração de escravos no Brasil, os negros africanos trazidos pelos portugueses no século XVI para complementar a mão de obra braçal que os índios se recusavam a assumir - o infame "fardo do homem branco" de catequizar e ensinar aos povos "menos evoluídos" a religião e o trabalho duro -, viviam em locais chamados senzalas. Segundo Andrade (2011), a casa-grande em um engenho era o local aonde vivia o senhorio, dono da propriedade rural do século XVI, e também o centro de organização social, política e econômica da época. Era construído estrategicamente próximo ao engenho, a senzala, a casa de farinha e a capela... alguma semelhança com o local aonde você trabalha? O Diretor Geral (senhorio) não está estrategicamente localizado próximo da fábrica (engenho), dos funcionários de baixa patente (senzala), do estoque (casa de farinha) e do RH (capela)? E não se engane achando que isso é só uma mera coincidência infeliz. É um método testado e aprovado. Incutido na cabeça de Gerentes (capatazes e capitães do mato) que acham que fazem parte do esquema e que com uma boa pitada de sorte e de submissão, chegarão ao posto de senhorio um dia. Incutido na cabeça dos pobres escravos modernos, de que aquele é um excelente método de vida, dado que há muitos benefícios pagos pela benevolente empresa (propriedade rural), e que muitas pessoas gostariam de estar no lugar deles. O novo método de escravização te dá a impressão de liberdade e te aprisiona no pior tipo de masmorra possível: o seu crescente desejo por ascensão social! Você só não se deu conta de que a ascensão social é uma ilusão. Só não se deu conta que, enquanto você sonha com ascensão social, milhões de outras pessoas, que sentem e sofrem tanto quanto você, estão relegadas à miséria. Que talvez não tenham tido as mesmas oportunidades que você pelo simples fato de terem partido de um ponto muito diferente do seu na vida.
E esse fenômeno da casa-grande e da senzala se reserva apenas às empresas e seus donos ou acionistas? É um movimento novo ou que vem crescendo de tempos longínquos?
Não a toa fomos o último país no mundo a "acabar" com a escravidão. Se analisarmos a história do Brasil do final do século XIX e início do século XX, quando os senhores de engenho já não tinham mais como contar com a conivente e brutal escravidão dos negros, chegamos aos primórdios do movimento dos escravos voluntários iludidos: a segunda geração de escravos, estes pagos em espécie e os pioneiros da escravidão moderna que atravessamos atualmente, envolvem os imigrantes italianos e japoneses. Vieram de seus países em busca do sonho de uma vida melhor e sem se dar conta, atracaram em uma terra explorada há séculos. "Que coisa entendeis por uma nação, Senhor Ministro? É a massa dos infelizes? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos animais, mas não comemos a carne. Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa pátria? Mas é uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?" Esta é a resposta de um italiano a um Ministro de Estado de seu país, a propósito das razões que estavam ditando a emigração em massa. Pobre italiano iludido. Mais de 100 anos depois, dependem do mesmo senhorio do qual fugiram em massa de sua Terra Natal.
Ainda assim, depois de toda a construção dos argumentos que expus você, caro leitor, não está satisfeit@ e convencid@ sobre a visão da escravidão moderna ao sistema de produção, ao dinheiro e ao senhor de engenho? Então vamos apelar para a popularidade:
- A morte de Ayrton Senna em 1994: um dia antes de sua morte, um jovem piloto chamado Roland Ratzenberger deveria ter sido motivo suficiente para a prova do domingo não acontecer. Tanto em memória à perda de uma vida, quanto em reseito aos familiares, mas acima de tudo em respeito à vida e à segurança dos demais pilotos que enfrentariam o mesmo circuito no dia seguinte. Mas o show custa caro, envolve muitas cifras e não pode parar! Mesmo após a morte de um dos maiores ídolos nacionais o brasileiro não se deu conta de que a vida conta mais que o dinheiro;
- A pressão pelo retorno dos jogos de futebol durante a pandemia de COVID-19: o ano de 2020 começou com um grande desafio à humanidade; a maior crise sanitária do século se estende mundialmente e algumas pessoas se mostram indiferentes a isso. Um esporte que envolve cifras estratosféricas é o futebol e, os dirigentes, aqueles que ficam sentados confortáveis em suas casas enquanto outros fazem o show e eles ganham MUITO dinheiro, forçam a situação do esporte para voltar a ser disputado. Jogadores, torcedores, funcionários dos clubes são máquinas ou seres humanos? Porque eles deveriam se expor à contaminação e o risco de morte apenas para que o entretenimento popular (e o dinheiro que jorra nos bolsos dos senhores engravatados das federações) não pare? Ao que tudo indica, serão forçados a voltar mesmo que a pandemia não tenha sido ainda resolvida;
- As declarações genocidas e atrapalhadas do atual Presidente da República, senhor Jair BolsoNero: no dia 08/05/2020, em uma marcha teatral ao STF, acompanhado do Ministro da Economia e de empresários, com o objetivo de pedir intervenção da justiça brasileira para o fim da quarentena que visa preservar vidas da população brasileira durante a pandemia do COVID-19, uma das mais graves falas dele foram "se fosse por mim, muitos já estariam trabalhando". Mas ele coleciona pérolas como "Os empresários estão desesperados (nota do autor: a casa-grande sentindo falta da senzala)", "E daí? O que você quer que eu faça?" em referência às milhares de mortes causadas pelo vírus, "Eu não sou coveiro", "É uma gripezinha", "É um complô para derrubar a economia do Brasil", entre outras barbaridades;
- E se você quiser exemplos internacionais, temos também Dana White, o modelo caricato do novo senhor de engenho. Dono dos direitos da marca Ultimate Fighting Championship (UFC), ele fez lobby e conseguiu que o evento fosse considerado pelo governador da Flórida como serviço essencial. Afinal de contas, quem é que consegue viver sem assistir dois marmanjos se espancando dentro de um octogono, não é mesmo? (Sarcasmo).
Aquele Brasil das Capitanias Hereditárias, das oligarquias, nunca deixou de existir. Só se escondeu atrás de panos e roupas mais bonitas e agradáveis aos olhos e aos ouvidos dos desavisados: a cada dia que passa vejo o número de tarefas que as pessoas empregadas são obrigadas a absorver crescer proporcionalmente ao número de desempregados, afinal de contas, a empresa precisa cortar gastos e as pessoas que estão ali são competentes o suficiente para dar conta da avalanche de informações e de cobranças sem freio e sem limites a que estão expostas. Sem contar que, com a globalização, ese fluxo de informações e de tarefas cresceu vertiginosamente. Você não trabalha mais no Brasil quando está sentado em uma cadeira de uma multinacional; trabalha no mundo!
Sem perceber, a saúde mental destas pessoas que conseguem se segurar por fios nos empregos vai se deteriorando e, quando não servem mais para a companhia, são descartadas, trocadas por alguém que estava sentado na fila do desemprego rezando por garantir um posto na senzala para não precisar dormir ao relento e ter que caçar a sua própria comida. Com isso, cresce a preocupação dos brasileiros por mais horas extras, para poder ter mais dinheiro para poder pagar por coisas que não precisam, porque outras pessoas têm... o básico da vida, que é viver, está no piloto automático, relegado a segundo plano, enquanto as pessoas se mantém ocupadas em manter seu estilo de vida fútil e efêmero, para poder ter uma foto bonita para postar em alguma rede social da moda. Enquanto o mundo todo sofre um processo irreversível de desindustrilização, o Brasil assiste sentado a um massacre diário de pobres e trabalhadores, aplaudindo a máquina de moer e ofendendo aqueles que são jogados nela sem pudor ou escrúpulos. O show não pode parar.
A Teoria dos Fractais de Benoit Mandelbrot (1983) explica, através da autossimiliaridade, que as partes de um conjunto são idênticas ao todo, em escalas menores. O que isso quer dizer? Que enquanto não mudarmos como indivíduos, enquanto não aceitarmos que somos importantes e que o amor próprio é algo vital, nunca teremos uma sociedade justa e que reflita a paz de pensamento de todos. Os conflitos são frutos da desigualdade. E as vezes, conflitos são provocados de forma intencional para desviar a nossa atenção daquilo que realmente importa. Existe toda uma ciência por trás da famosa gestão por conflitos. Portanto, é hora de limpar os olhos, acordar para a realidade e lutar!
RISE UP AND FIGHT! LET US HEAR YOUR VOICE!
E não se esqueça: O PUNK NÃO MORREU!
P.S.: Como complemento para a argumentação, recomendo as leituras:
- Casa-grande e senzala, livro de Gilberto Freyre. 1933;
- “Em nenhuma parte do Brasil a formação da família se processou tão aristocraticamente como entre canaviais.”
- O artigo científico "Escravidão “suave” no Brasil: Gilberto Freyre tinha razão?" de Flávio Rabelo Versiani, especialmente o capítulo "A perspectiva da análise econômica: coerção e maximização da produção".
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FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala; Formação da Família Brasileira sob o Regime da Economia Patriarcal. [1933]. 21 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1981.
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TEORIA DA COMPLEXIDADE. Teoria dos fractais. Pesquisa online. Disponível em: <https://teoriadacomplexidade.com.br/geometria-fractal/>. Acesso em: 09/05/2020.
VERSIANI, F. R. Escravidão “suave” no Brasil: Gilberto Freyre tinha razão?; A perspectiva da análise econômica: coerção e maximização da produção. Revista de Economia Política, vol. 27, nº 2 (106), pp. 163-183, abril-junho/2007
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