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quinta-feira, 31 de março de 2022

Copos adequados para a degustação de cerveja: mito ou verdade?

Existe justificativa técnica para indicar um tipo específico de copo para cada estilo de cerveja ou isso é mito?

Copo Nonic Pint, usado em geral para servir cervejas britânicas

É claro que cada cerveja manterá suas características próprias independente do recipiente onde estiver servida - contando com uma situação onde este recipiente esteja livre de contaminantes e frio, no máximo à temperatura ambiente -, mas o material do copo e seu design de fato influenciam a forma como percebemos a experiência da bebida.

Material

Vidro, plásticos e metais se diferenciam por diversas características físicas e algumas delas afetam diretamente a qualidade sensorial da bebida. A condutividade térmica é uma delas, sendo os metais excelentes condutores e os plásticos isolantes. Posto isto, beber uma cerveja em um copo de metal que ficará muito tempo em sua mão pode não ser uma boa ideia.
A outra é a condição superficial de cada um destes materiais: plásticos como o polipropileno, por exemplo, comumente utilizado na fabricação de copos reutilizáveis, possuem alta energia superficial em comparação a outros plásticos, o que aumenta sua interação com a bebida causando certo retardo no escoamento. No caso dos metais, a interação é física: embora pareçam superfícies altamente polidas e lisas, microscopicamente são superfícies irregulares e que promovem atrito, causando da mesma forma alta interação entre a bebida e o material do recipiente, também retardando seu escoamento. O vidro, no entanto, é um material relativamente isolante térmico e que possui uma superfície relativamente lisa e inerte do ponto de vista de energia superficial, fatores que o tornam o material mais indicado para aproveitar ao máximo a experiência sensorial de sua cerveja.

Infográfico que apresenta os cariados copos disponíveis para degustação de cervejas

Design

Outro fator, este muito mais explorado pelo sommelier de cerveja, é o design dos copos. É possível encontrar na internet diversos infográficos interessantes, que sugerem o tipo de copo adequado para cada estilo de cerveja. Você encontrará algumas sugestões deles nos stories.
Alguns fatores do design que influenciam a experiência do apreciador de cerveja são listados e explicados a seguir.
Parede: quanto mais reta e mais inclinada a parede do copo, maior o escoamento do líquido, preenchendo a boca de quem está bebendo de forma mais rápida e vice-versa. Por este motivo copos do tipo Pilsner (copos altos e de paredes retas) são indicados para cervejas de menor complexidade como as lager e os copos do tipo Tulipa (taças mais baixas e bojudas) para cervejas belgas mais complexas e alcoólicas.
Bocal: o desenho da boca do copo é outro fator importante. Quanto maior for a complexidade no aroma da cerveja, mais fechada deverá ser a boca do copo. Neste caso, novamente o copo Pilsner, que possui o fundo mais estreito e a boca mais larga, é indicado para cervejas de menor complexidade de aromas, enquanto os copos Snifter, Taster e IPA são os mais indicados para cervejas complexas e que demandem retenção do aroma por mais tempo. Alguns copos podem ainda trazer alterações nas bordas na tentativa de direcionar o líquido para a língua do consumidor, aumentando a percepção de sabor.
Manuseio: o local de empunhadura do copo é importante para o controle da temperatura durante o consumo. Cervejas que necessitam permanecer geladas por mais tempo devem ser consumidas em taças com a empunhadura fora da parede do copo ou alças. Cervejas que demandem o consumo em temperaturas mais elevadas podem apresentar a empunhadura na parede sem grandes prejuízos para a qualidade sensorial. 

Conta pra gente: vocês sabiam que o copo era um fator tão importante pra ter a melhor experiência? Ainda tem dúvida sobre o melhor tipo de copo para cada estilo de cerveja? 
Entra em contato. Será um prazer te ajudar!

Keep drinking good beer and remember: PUNX NOT DEAD!

sábado, 26 de março de 2022

Stout: a porter que ganhou um novo nome para mostrar a sua força!

Introdução

Em seu livro Instructions for Brewing Porter & Stout, de 1853, Charles Clarkson nos ensina a produzir cervejas destes estilos sem o uso de equipamentos específicos (segundo o autor, pesados e caros), como por exemplo refrigeradores, cubas de fermentação etc. Ele afirma que, aquele que seguir as suas instruções, produzirá algo semelhante à melhor London Porter em sabor e força.

Imagem adaptada do livro Instructions for Brewing Porter & Stout (1853) de Charles Clarkson

Atualmente temos informações suficientes a disposição para saber da importância de se utilizar os equipamentos corretos para produção, fermentação, maturação e envase na qualidade e fidedignidade da cerveja com o estilo buscado. Produzir cerveja é uma arte e deve seguir no contrafluxo da natureza: água, eletricidade e preguiçosos buscam os caminhos mais fáceis; um mestre cervejeiro deve buscar aquilo que precisa com paciência, cuidado e destreza. A tecnologia nos premia com equipamentos cada vez mais precisos e robustos, mas manter a tradição também é importante. Cervejas como as stouts e as porters, originárias da escola britânica, são historicamente armazenadas e servidas em barris de madeira, o que interfere em seu sabor (gosto, aroma e sensações). Existe um movimento no Reino Unido desde a década de 70, o Campaign for Real Ale (CAMRA), que defende a manutenção desta tradição por julgar que "as cervejas armazenadas em barris de aço inoxidável - kegs - são estéreis e sem graça." Palavras de um especialista no assunto, o sr. Martyn Cornell.

Mas o que quer dizer a afirmação de Charles Clarkson? O que seria uma cerveja considerada a melhor stout?

Para tentar, se não responder, pelo menos esclarecer, buscamos auxílio na literatura.

Características

Para começar, não há como afirmar se uma cerveja é melhor ou pior com base no estilo porque isso está diretamente ligado ao gosto e às preferências pessoais de cada indivíduo. Seria uma discussão infrutífera e infinita. O que podemos controlar, no entanto, é a analise da cerveja com base nos estilos aceitos e publicados nos guias do BJCP e do Brewers Association, com algum apoio em literatura especializada no tema, como livros e artigos científicos. Associado a isso, uma análise sensorial técnica nos guiará através da qualidade da cerveja em aroma, aparência, sabor e sensação na boca dos diversos sub-estilos. Pronto, a subjetividade não foi eliminada, mas drasticamente reduzida. O guia do BJCP apresenta 8 sub-estilos da família stout: Irish Stout (15B), Irish Extra Stout (15C), Sweet Stout (16A), Oatmeal Stout (16B), Tropical Stout (16C), Foreign Extra Stout (16D), American Stout (20B) e Imperial Stout (20C). O guia do Brewers Association apresenta outros 7: Sweet Stout ou Cream Stout, Oatmeal Stout, British-Style Imperial Stout, Classic Irish-Style Dry Stout, Export-Style Stout, American-Style Stout e American-Style Imperial Stout. Talvez a mais conhecida do estilo é a mundialmente famosa Guinness, uma Classic Irish-Style Dry Stout. É, inclusive, a cerveja stout mais consumida do mundo. Mas qual conjunto de características faz da cerveja uma stout e não uma porter?

A primeira cerveja britânica escura que se tem referência é a porter, com aproximadamente 300 anos de história. Nesse período as cervejas eram quase todas escuras por conta da dificuldade de se controlar o processo de secagem e torra dos maltes, que até então utilizava carvão e ambiente estático (o coque de petróleo e a invenção do tambor torrador por Daniel Wheeler só viriam a se tornar alternativas viáveis por volta do início do século XIX). Segundo Michael J. Lewis, em seu livro intitulado Stout de 1995, "(...) o primeiro uso da palavra stout claramente referindo-se a uma cerveja aparece em uma carta de 1677 no Manuscrito Egerton, que diz: "We will drink to your health both in stout and best wine (algo como: bebemos em sua saúde, tanto na stout como no melhor vinho). Em 1734, o The London and Country Brewer, um texto anônimo, apareceu pela primeira vez (...). Nesta publicação, a stout butt beer  (algo como cerveja de rabo/bunda forte) é mencionada como uma característica das cervejas londrinas da época. Redman ressalta que entire butt beer (algo como cerveja de rabo/bunda inteira) era a descrição que os cervejeiros faziam da porter à época. Ele assume, no entanto, que a stout butt beer é meramente mais forte ou uma export porter e não é uma verdadeira stout. Em seu comentário sobre essas passagens, Corran insiste que, naquela época, a stout não era nada como as cervejas pretas de hoje que chamamos de stouts. (...)". As palavras de Lewis corroboram o que sugeriu Martyn Cornell em uma de suas palestras no Brasil em 2022, de que a origem da palavra stout remete à força superior de alguns tipos da antiga porter e não propriamente às características atuais da stout que acostumamos a consumir. 

A porter original era uma cerveja de corpo alto e sabor torrado, mais parecida com as stouts atuais. Com o passar do tempo as receitas foram sofrendo importantes modificações para aproveitar o melhor rendimento dos maltes claros, o que modificou também o perfil deste estilo, que passou a ter sabor mais suave, com notas de chocolate e de tosta, não mais torra. No século XIX a stout retorna e se consolida como um estilo à parte com notas mais intensas de tosta e torra do malte e o amargor da porter original.

Alguns dos exemplares internacionais típicos de stout atualmente são: Samuel Adams Cream Stout (Sweet Stout), Young's Oatmeal Stout (Oatmeal Stout), Guinnes Draught Stout e Belhaven Black Scottish Stout (Classic Irish-Style Dry Stout), Guinnes Foreign Extra Stout (Export-Style Stout) e Courage Russian Imperial Stout (British Style [Russian] Imperial Stout).

Belhaven Black Scottish Stout

Alguns exemplares nacionais fáceis de encontrar e que valem a pena conferir são:
Outros que não são tão fáceis de encontrar, ou que estão fora de catálogo, mas que também são cervejas nacionais interessantíssimas são:
Keep drinking good beer and remember: PUNX NOT DEAD!

Referências Bibliográficas
  • M. J. Lewis, Stout, Brewers Publications, Inc., Boulder, 1995.
  • C. Clarkson, Instructions for Brewing Porter & Stout, No. 9, Avery Row, Grosvenor Street, London, 1853.
  • C. Swersey, P. Gatza, C. Skypeck, K. Kirkpatrick, C. Williams and D. Rabin, Brewers Association 2012 Beer Style Guidelines, 2022.
  • G. Strong and K. England, Beer Judge Certification Program 2021 Style Guidelines, 2021.

sexta-feira, 6 de março de 2020

A escola inglesa de fabricação de cervejas: um breve relato.

Olá amigo cervejeiro!
Há alguns dias escrevi para vocês a respeito das diferenças entre as cervejas do tipo Ale e as do tipo Lager (para quem perdeu, aqui está). 

Hoje, vamos falar brevemente sobre uma escola muito tradicional e muito apreciada ao redor do mundo e, é claro, aqui no Brasil, quase sinônimo de Ale: a escola inglesa.
Não é uma tarefa fácil determinar o início da produção de cerveja no Reino Unido, mas sabemos que o fim não está próximo: é a região com a maior concentração per capita de cervejarias no mundo! Será que é um bom lugar pra se visitar? Hehe
Quando se fala a respeito da Inglaterra em particular, acredita-se que a cerveja tenha ganho notoriedade bem antes da chegada dos Romanos, no ano 54 Antes de Cristo. Recentemente arqueólogos encontraram evidências de que a principal fonte de nutrição dos soldados Romanos era a cerveja celta, portanto, a não ser que tenham sido eles a ensinar os britânicos a fazer a cerveja celta, esta teoria tem fundamento.

Registros domésticos e militares, em tábuas de madeira, encontrados em um antigo forte romano na região aonde atualmente fica a Northumbria, relatam a compra de "ceruese" (cerveja). Muitas destas listas mencionam o cervejeiro Atrectus, o primeiro cervejeiro profissional e nomeado da história da Grã-Bretanha! Como a produção data de muito antes da introdução do lúpulo à cerveja, há registros de outros ingredientes como mel e artemísia que podem ter sido usados na fabricação.

Dado que, por causa do clima, não existe a prática de se cultivar uva na Grã-Bretanha, a cerveja é uma das bebidas mais comuns e apreciadas desde a Idade Média, não apenas pelo fato de ser uma bebida alcoólica, mas também pelo fato de ser uma bebida nutritiva. Também por isso era consumida em todas as refeições. O consumo per capita de cerveja na Inglaterra neste período era de aproximadamente 300 litros/ano. O papel essencial das mulheres na fabricação da cerveja na Inglaterra da Idade Média é eternizado no termo alewives (esposas ale, em tradução livre) que definiam as responsáveis pela fabricação e comercialização de toda a cerveja produzida no país. Toda cerveja era fabricada no local aonde era consumida, as tavernas.

Acredita-se ainda que a introdução do lúpulo na cerveja inglesa tenha ocorrido após a Idade Média. O uso do lúpulo já era conhecido desde o século IX, mas ainda se enfrentava grande dificuldade em definir as proporções corretas do ingrediente (o que não me parece uma grande dificuldade em tempos de fabricação de NE IPA). Uma mistura de ervas chamada gruit, que continha sweet gale, artemísia, aquiléia, erva-de-são-joão, marroio e urze, e por vezes algum toque pessoal de cada produtor como bagas de zimbro, gengibre, sementes de cominho, anis, noz-moscada, canela era utilizada para substituir o lúpulo, porém, não possuía as mesmas propriedades de conservação que apresenta o lúpulo.

Uma curiosidade: no século XV as cervejas fabricadas sem lúpulo eram chamadas de ale, enquanto as lupuladas eram chamadas de......... cerveja (beer)!

Acredita-se que a plantação de lúpulo na Inglaterra date de 1428, quando começou a ser importado da Holanda. Na época a fabricação de ale e cerveja ocorriam separadamente, sendo proibido inclusive ao cervejeiro fabricar ambas em seu estabalecimento, conforme declaração da Companhia de Cervejeiros de Londres da época: "nenhum lúpulo, ervas ou coisas parecidas podem ser colocadas na ale ou qualquer líquido destinado à sua produção - mas apenas água, malte e levedura." Essa era a versão inglesa da lei de pureza alemã mas em uma versão muito mais cruel!

Uma outra curiosidade: uma pesquisa para fins fiscais em 1577 registrou incríveis 14.202 cervejarias e 1960 tavernas/estalagens. Isso representava um local para se consumir cerveja para cada 187 pessoas!

O início do século XVIII inaugurou um novo estilo de se tomar cerveja: a Porter; a primeira cerveja inglesa a ser envelhecida na própria cervejaria e despachada pronta para ser consumida. A Porter foi a primeira cerveja a ser produzida em larga escala e adicionalmente trouxe alguns avanços aos processos de fabricação de cervejas: os pioneiros na fabricação da cerveja Porter, Whitbread, Truman, Parson e Thrale foram os primeiros fabricantes a usar o termometro, o densímetro entre outros equipamentos de medição para garantir a qualidade da bebida.

Foi durante o século XVIII que surgiram as primeiras India Pale Ale's. A lenda conta que as IPA's, como são conhecidas, possuem esse sabor amargo porque, para aguentar a viagem da Inglaterra para a India os cervejeiros adicionavam uma altíssima carga de lúpulo para blindar a cerveja de bactérias. Se é verdade ou não, nunca saberemos, mas MUITO OBRIGADO INGLATERRA POR TER INVENTADO O ESTILO, mesmo que tenha sido sem querer! O primeiro exportador conhecido de cerveja para a India foi George Hodgson da Bow Brewery. A IPA se tornou popular na Inglaterra por volta de 1840. Embora ainda possuíssem uma pequena parcela de mercado, as Lager Continentais passaram a figurar dos cardápios locais no final do século XIX.

A Primeira Guerra Mundial trouxe graves consequências para a cerveja mais vendida da Inglaterra, a Mild Ale: todas as cervejarias da Inglaterra precisaram limitar a OG média de suas cervejas para 1.030. O que isso significa? Que para poder fabricar algumas cervejas mais fortes, a OG das Mild Ale precisou ser reduzida para aproximadamente 1.025. Foi no início do século XX que a prática de servir cerveja pressurizada direto do barril teve início. A carbonatação artificial foi introduzida no ano de 1936, ainda que este método só tenha sido efetivamente aceito e praticado no final dos anos 60.

O efeito do racionamento consequência da Primeira Guerra Mundial? A cerveja Mild Ale que era a preferida dos ingleses foi trocada pela tradicional Pale Ale. Ainda nos anos 60 a produção caseira de cerveja foi legalizada, e se tornou um hobby muito popular!

De 1965 a 1975 ocorreu um boom da produção de cervejas do tipo Lager, passando de 2% para 20% de participação no mercado inglês. Foi neste período que surgiu para o mercado a cerveja em lata.

Com a explosão da cerveja Lager no início dos anos 70, os consumidores se organizaram e criaram a Campanha pela Cerveja Real (CAMRA, do inglês Campaign for Real Ale), reivindicando a proteção às cervejas não pressurizadas. A organização se tornou poderosa e tem aproximadamente 170.000 afiliados.

Em 2010, o número de cervejarias operantes na Inglaterra atingiu o maior número desde a Segunda Guerra Mundial: 700 estabelecimentos produzindo as Real Ale. Este número representa o quádruplo das cervejarias abertas quando a CAMRA foi fundada.

Desde 2010 o interesse por cerveja artesanal é crescente na Inglaterra. O termo cerveja artesanal não tem um real sentido na Inglaterra, por isso, pode-se considerar como cervejaria artesanal aquelas provenientes das cervejarias pequenas, uma cerveja geralmente muito saborosa, como por exemplo as hop forward. A clientela da cerveja artesanal na cena inglesa é geralmente composta por jovens, principalmente os hipsters. Como no Brasil, existe uma grande discussão sobre a aquisição destas microcervejarias pelas grandes multinacionais e se elas deveriam ou não continuar sendo chamadas de cervejarias artesanais.

Ok. Muito legal saber da história da cerveja inglesa, mas... e a cerveja mesmo? Aonde está no seu post, Brew Punk!? Calma... calminha! Chegamos ao momento mais esperado do post: os estilos ingleses de cerveja (particularmente os que eu mais gosto!).

Embora não sejam os únicos produzidos no país (qualquer pessoa em qualquer país pode produzir o estilo que bem entender em sua casa, microcervejaria, whatever) os estilos ingleses são 6 + 1. Seis estilos tradicionais ingleses e um intruso: as Lagers.

Bitter: talvez o estilo inglês mais conhecido! E ao contrário do que se imagina, bitter não se refere a apenas um estilo de cerveja, mas a um conjunto. Toda cerveja fabricada na Inglaterra que leve uma considerável carga de lúpulo é considerada uma bitter. Uma cerveja que pode conter de 3,5% a 7% de teor alcoólico e coloração de dourada a âmbar. Uma bitter pode ter diversas nomenclaturas, que variam de acordo com a sua "força". Vamos a elas?

  • Session (damn!) ou Ordinary: têm até 4,1% de teor alcoólico. A maior parte das cervejas inglesas com o nome IPA são encontrados neste estilo. Este é o estilo mais vendido nos pubs ingleses e abocanha aproximadamente 17% das vendas!
  • Best: teor alcoólico entre 3,8% e 4,7%. Um estilo que reprsenta aproximadamente 2,9% das vendas nos pubs ingleses. 
  • Premium: 4,8% de teor alcoólico e acima! Também é conhecida como ESB (Extra Special Bitter).
  • Golden: uma cerveja mais moderna, também conhecida como Summer Ale. Geralmente lupulada com Cascade e Styrian Goldings, foi desenvolvida para concorrer com as Pale Lager. Tem teor alcoólico entre 4% e 5%. 
  • India Pale Ale: sim, aquela! A mítica cerveja que foi criada para "sobreviver a longas viagens de navio da Inglaterra para a Índia"! Bullshit! O criador provavelmente curtia muito lúpulo e não sabia ainda fazer a NE IPA. São cervejas com teor alcoólico de 5,5% ou mais.
Brown Ale: são cervejas doces e com baixo teor alcoólico.

Mild: elas eram as preferidas do público inglês no pré-Primeira Guerra Mundial, lembram-se? Atualmente é uma cerveja de baixa densidade (de 3% a 3,6% de teor alcoólico), pouco lupulada e com sabor maltado. A coloração escura das Milds modernas se dá em partes pelo uso de maltes torrados ou açúcares caramelizados. Na maior parte do tempo, ambos! O advento das microcervejarias na Inglaterra foi importante para a sobrevivência do estilo, que sofreu um baque após os anos 60. 

Burton Ale: uma cerveja que merece um post único, só pra ela! Porque? Você já deve ter ouvido falar sobre a famosa água de Burton-upon-Trent. Uma rápida pincelada neste post e um texto completo só pra ela no futuro, ok? É uma cerveja forte e muitas vezes foi sinônimo das Old Ales (descritas em detalhes mais adiante). São cervejas conhecidas por serem mais escuras e "doces" que as bitter

Old Ale: cervejas maltadas (quando falamos maltadas, pense em sabor: mais sabor de malte que sabor de lúpulo, ok?) e com teor alcoólico acima de 4,5%. Versões mais fortes da Old Ale são as conhecidas Barley Wine

Porter e Stout: tão diferentes e tão parecidas... não apenas pela coloração: a Porter é a irmã mais velha da Stout, que hoje é considerada um estilo tipicamente irlandês. Variações desses estilos podem ser a Oatmeal Stout, Oyster Stout, Sweet Milk Stout e a forte Imperial Stout. A Porter caracteriza-se por ter menor densidade e corpo mais leve, muito próxima das bitter. Outro aspecto que as difere é o sabor: a Porter é ligeiramente mais adocicada que a Stout.

As Lagers terão um post dedicado apenas a elas, portanto, embora figure de forma bem especial no coração dos ingleses (não é líder de mercado, mas não podemos descartá-la), vamos apenas mencioná-la brevemente. 

As cervejas da escola inglesa são particularmente as minhas preferidas. E vocês? Qual o estilo de cerveja inglesa que mais gostam? Mesmo que for nenhum, manda um olá nos comentários!

Um abraço a todos, bom final de semana e não se esqueçam: o PUNK NÃO MORREU!