Existe justificativa técnica para indicar um tipo específico de copo para cada estilo de cerveja ou isso é mito?
| Infográfico que apresenta os cariados copos disponíveis para degustação de cervejas |
Existe justificativa técnica para indicar um tipo específico de copo para cada estilo de cerveja ou isso é mito?
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| Belhaven Black Scottish Stout |
História
Bock é um estilo originário da cidade de Einbeck, centronorte da Alemanha. É uma cerveja produzida há séculos e ainda muito popular em diversos lugares do mundo. O termo bock surgiu a partir da evolução e de adaptações da palavra original para o estilo: einbeckisches, que com o passar do tempo passou a ser chamada de einpockisches, de einbock até evoluir para o atual bockbier.
Uma curiosidade sobre as bocks alemãs é que a grande maioria delas estampa a figura de um bode em seus rótulos, conforme ilustrado na Figura 1. Uma das explicações para a presença ilustre do querido animal é mitológica e nada tem a ver com ligação das cervejarias produtoras com as artes das trevas ou com o cão-miúdo: como a cerveja era produzida somente durante o signo de capricórnio (ou seja, no inverno), a figura do bode foi escolhida como garota propaganda do estilo.
Referências Bibliográficas
Quando você pensar em se autointitular cervejeiro, pense duas vezes. Será que é você quem faz a cerveja?
Antes de Louis Pasteur provar em 1871 que o processo de
fermentação alcoólica era protagonizado por leveduras vivas, os produtores de
cerveja acreditavam que o processo de fermentação, representado pela reação de
decomposição na Figura 1, era algo que ocorria de forma espontânea e, além
disso, “um presente de Deus” (o termo em inglês usado para definir o processo
de fermentação antes da confirmação da atuação do microrganismo era godisgood...
precisamos concordar que não deixa de ser!). Prova disso é que a Lei de Pureza Alemã da
Cerveja de 1516 previa a punição sob pena de confisco dos barris de cerveja
para aqueles que fabricassem cerveja com ingredientes além de água, malte e
lúpulo, sem mencionar a levedura: “(...) Além
disso, queremos enfatizar que no futuro em todas as cidades, mercados e no
país, os únicos ingredientes usados para a fabricação da cerveja devem
obrigatoriamente ser cevada, lúpulo e água. Todo aquele que intencionalmente desconsiderar
ou transgredir esta portaria, será punido pelas autoridades do Tribunal, (...)”.
Figura 1. Reação de decomposição da glicose em
etanol e gás carbônico [1]
As leveduras pertencem ao reino Fungi. São organismos
eucariontes (célula com núcleo diferenciado), heterotróficos (não fazem
fotossíntese), unicelulares e anaeróbicos facultativos. Isso significa que podem
realizar respiração celular na presença ou na ausência de oxigênio. É na ausência
de oxigênio que ocorre a reação de decomposição da glicose conhecida como
fermentação alcoólica. A fermentação ocorre com o objetivo de a levedura produzir
energia (ATP) para a sua célula. Os principais subprodutos desta decomposição são
o gás carbônico e o etanol. Alguns outros compostos podem ser formados durante
o processo de fermentação pela levedura através de reações bioquímicas. Esses
compostos, mesmo que em pequenas quantidades, geram grande impacto, positivo ou
negativo, no aroma e no sabor da cerveja: ésteres (compostos aromáticos
frutados ou off flavors de solventes), álcoois superiores (picante,
aquecimento, solvente), aldeídos (e-nonenal: papelão), diacetil (manteiga de
cinema), compostos sulfurados (dióxido de enxofre/fósforo queimado; sulfeto de
hidrogênio/ovo podre) e compostos fenólicos (cravo; medicinal). Alguns dos
fatores que influenciam a ocorrência destes subprodutos na fase de fermentação
da cerveja são: temperatura e tempo de fermentação, espécie da levedura,
composição do mosto, contrapressão, quantidade de levedura, aeração e
concentração do mosto. Os perfis esterificados de cervejas são desejáveis e
algumas das formas de se consegui-los são: produzindo mosto de grande concentração,
temperatura de fermentação mais elevada, sempre próximo da temperatura limite
indicada para a cepa da levedura e forte influência da cepa do fermento, dos ésteres
que podem produzir.
E quanto a reutilização de leveduras? A prática é
complexa e fazer a reutilização em casa é difícil. O fundo plano do fermentador
caseiro impossibilita a correta coleta da lama para posterior tratamento. Para os
cervejeiros caseiros que desejam fazer a reutilização, recomenda-se que seja
feita entre 5-6 vezes, não mais. É importante saber que a reutilização de
leveduras pode ser um processo ardiloso, principalmente do ponto de vista de
viabilidade (não confundir viabilidade com vitalidade). A viabilidade determina
o percentual de células vivas em uma cultura. Uma das formas de se determinar a
viabilidade de uma cultura é o teste de azul de metileno, assunto que será
abordado em um artigo específico para este assunto em breve.
Caso a viabilidade de uma cultura de leveduras esteja
baixa, é necessário que se considere fazer algo para melhorar o número de células
viáveis. A técnica que torna isso possível chama-se propagação e é utilizada
para multiplicar o número de células viáveis na população, importante para
produzir aumento da biomassa de leveduras. Pode ser realizada também para
adequar os inóculos para uma cerveja de acordo com a gravidade original (OG)
e/ou restaurar a vitalidade das células. Utiliza-se uma fonte de nutrientes
como, por exemplo, extrato de malte (DME) ou mosto com densidade 1.040,
aproximadamente. As células permanecem sob agitação de forma a incorporar
oxigênio e realizar respiração aeróbia, o que gera mais energia para
multiplicação celular.
É natural que ao final do resfriamento pós fervura o
mosto esteja coalhado de oxigênio; e isso é muito importante! Melhor ainda se
estiver na condição de saturação, de 10ppm. Embora o oxigênio seja o inimigo
número 1 da cerveja e a fermentação ocorra apenas de forma anaeróbica, é
durante a fase aeróbica que a levedura produz maior quantidade de energia (36-38
moléculas de ATP). É durante esta fase de maior produção de energia que a colônia
de leveduras crescerá e multiplicará nas primeiras 24h. As leveduras
cervejeiras possuem limitada capacidade de respiração e estão sujeitas a
repressão catabólica, portanto, caso a aeração seja insuficiente pode resultar
em baixos índices de multiplicação celular, atenuação incompleta e aumento de
produção e acúmulo de off flavors. O oxigênio é necessário para a
fermentação cervejeira por permitir a síntese de esteróis e ácidos graxos
instaurados. Esses lipídeos são essenciais componentes da membrana citoplasmática.
Entretanto Saccharomyces cerevisiae é capaz de crescer sob condições
anaeróbicas estritas somente quando há uma fonte exógena de esteróis e ácidos
graxos instaurados. Sob condições aeróbicas, estes compostos podem ser
sintetizados a partir de carboidratos. A aeração excessiva, no entanto,
representa um stress potencialmente letal uma vez que radicais reativos de
oxigênio (como os superóxidos e hidroxilas) representam uma ameaça potencial ao
bom desenvolvimento das futuras gerações de leveduras. A fase anaeróbica inicia
após o consumo total do O2 e a fermentação termina assim que os
nutrientes fermentáveis terminam no líquido.
A espécie de levedura mais comum usada na produção de
cerveja é a Saccharomyces cerevisiae. Esta espécie é atrelada a produção
de cervejas ale e à alta fermentação (fermentação que ocorre no topo da dorna
de fermentação). A faixa de temperatura de atividade desta levedura é 16-26°C. Esta
espécie confere aromas frutados à cerveja.
A fermentação de cervejas lager, ou baixa fermentação (fermentação
que ocorre no fundo da dorna de fermentação), é processada pela espécie chamada
Saccharomyces pastorianus. Esta espécie trabalha em uma faixa de
temperatura de 9-14°C e confere aromas florais.
Mas o pitch de leveduras pode ser feito em
qualquer quantidade? Que tipos de problemas isso acarretaria? Como já vimos, um
pitch em baixas viabilidades pode acarretar problemas de início da
fermentação, que pode até não ocorrer. E em quantidades excessivas? Este problema
é conhecido como overpitching e acarreta alta velocidade no processo de
fermentação, ocorrendo pouca liberação de gás carbônico, envelhecimento da
cultura e aumento no risco de autólise (células mortas).
Um dos grandes riscos de defasagem no pitching é a
ocorrência de diacetil como subproduto e off flavor. O diacetil é muito
conhecido por conferir aroma de manteiga de cinema, mel e creme de leite. Isso
ocorre no processo de fermentação ou por contaminação microbiológica, como por
exemplo, contaminação por pediococcus.
Posto tudo isto, respondendo à nossa pergunta inicial: o
cervejeiro de verdade é a levedura. Você é só um assistente que prepara todo o
ambiente e dá as condições ideais que ela necessita para fazer o trabalho do “enviado
de Deus”!
E não se esqueça: O PUNK NÃO MORREU!
Referências Bibliográficas
[1] MAHAN, Bruce M.; MYERS, Rollie J. (2002). Química: um curso universitário. Edgard Blücher.
São Paulo, SP.
Água, malte, lúpulo e levedura. Segundo a Lei de
Pureza Alemã da Cerveja, esses são os ingredientes mágicos para se fazer uma
boa cerveja! Já falamos sobre a água e o malte e chegou a hora de falar do
lúpulo!
Figura 1. Flor da planta fêmea de lúpulo plantada na
sede da Sinnatrah em São Paulo, Capital
O lúpulo é uma planta trepadeira perene que pode viver por até 30 anos e
que foi utilizada como ingrediente de amargor na cerveja com registros que datam
do ano 1400, tanto na Alemanha como na Holanda.
“As escamas”,
que podem ser observadas na flor em destaque na Figura 1 “estão repletas com
glândulas esféricas resinosas, que são facilmente removidas por fricção, e têm
um odor forte e agradável e gosto amargo; estas esferas parecem consistir de um
ácido, óleo etéreo, uma resina aromática, cera, (...) e um princípio amargo
chamado lupulina. Sob pressão, as cabeças de lúpulo produzem um óleo verde,
leve e acre, chamado óleo de lúpulo.” [1]
A química do lúpulo é
amplamente conhecida e registrada na literatura técnica, e é composta pelos
seguintes componentes [2]:
o
Alfa-ácidos;
§ Humulona: sabor/aroma
elegante. Alto em lúpulos nobres. Degradação da substância deixa a cerveja
picante
§ Cohumulona:
responsável pelo harshness. Alto em lúpulos americanos, menor em lúpulos
nobres
§ Adhumulona
o
Beta-ácidos;
§ Lupulona
§ Colupulona
§ Adlupulona
o
Hidrocarbonetos
o
Terpenoides
o
Terpenos
§ Mirceno: pungente,
ofensivo. Lúpulos nobres tem baixo teor de mirceno. Degrada rápido
§ Farnesene: bem alto
em lúpulos nobres. Baixo no geral
§ Cariofileno: sabor
picante, baixo nos lúpulos nobres
o
Xantohumol: possui propriedades
anticancerígenas e estudos em andamento para o combate ao HIV-1, ao mal de
Alzheimer e ao mal de Parkinson
É bem sabido que o
lúpulo influencia na composição do aroma e do sabor das cervejas, equilibrando
o dulçor do malte com seu amargor (quanto maior for a razão entre
alfa/beta-ácidos no lúpulo, mais agressivo será o amargor. Os lúpulos nobres
possuem razão alfa/beta menor que os demais); mas poucos sabem a respeito de outras
funções do ingrediente: o lúpulo possui função tensoativa e auxilia na
estabilidade coloidal da espuma, atua como agente antimicrobiano (as resinas
alfa e beta-ácidos são bacteriostáticas), a presença de polifenóis,
antioxidantes naturais, protege a cerveja de envelhecimento por oxidação e é responsável
pela proteção da formação de complexos proteína/tanino, composto de grandes dimensões
que turvam e tiram o brilho da cerveja.
Os compostos iso-alfa-ácidos
são as substâncias de interesse cervejeiro como agentes de amargor, porém, não
são encontrados na forma livre na flor do lúpulo. A principal forma de obtenção
é a isomerização dos alfa-ácidos durante a fervura do mosto. Os principais
alfa-ácidos e seus iso-alfa-ácidos correspondentes estão descritos na Figura 2.
Alguns dos principais fenômenos físico-químicos que influenciam na isomerização dos alfa-ácidos dos lúpulos são:
Figura 2. Estruturas químicas dos metabólitos
secundários de lúpulo mais abundantes e os iso-α-ácidos
Os alfa-ácidos do
lúpulo são praticamente insolúveis em água, mas os iso-alfa-ácidos não. Quanto
maior o grau de solubilidade de tais compostos, maior será a estabilidade do amargor
ao longo do shelf life da cerveja.
Figura 3. Reação de isomerização da isohumulona
Embora as diversas qualidades
de lúpulos sejam polivalentes no sentido de conferir amargor, aroma e sabor,
alguns são mais indicados que outros para cada tipo de função. Para entender as
diferenças básicas entre eles é necessário lembrar-se dos componentes dos
lúpulos supracitados [2].
Lúpulos usados para
conferir amargor geralmente possuem maior concentração de alfa-ácidos e menor
quantidade de óleos essenciais. São adicionados no início da fervura e é
indicado que, ainda que a fervura ultrapasse este tempo, sejam fervidos por 60
minutos, tempo máximo de isomerização dos alfa-ácidos. Tempo de fervura maior
que 60 minutos para isomerizar estes compostos resulta em nada mais que gasto
desnecessário de energia, dado que a conversão de isômeros a partir de 60 minutos
é muito baixa. O limite máximo, ou ponto de saturação, de amargor que uma cerveja
pode obter é 120 IBU (International Bitterness Unit, o IBU, chamado de
Unidade de Amargor, ou UA, em português, é a escala internacional de amargor de
uma cerveja). Após este ponto não há mais isomerização/solubilização de iso-alfa
ácidos. Um exemplo de lúpulo muito utilizado para conferir amargor é o Magnum,
um lúpulo mais barato e menos nobre que os utilizados para conferir aroma e
sabor.
Os lúpulos usados com
a finalidade de conferir aroma e sabor, no entanto, são ricos em óleos
essenciais e geralmente possuem menor teor de alfa ácidos. Os óleos essenciais
são substâncias extremamente voláteis e é por este motivo que lúpulos ricos
nesta substância são adicionados à fervura já muito próximo do final, sendo recomendado
que sejam adicionados a partir de 15 minutos antes de se desligar o fogo. As
variáveis para escolha dos lúpulos utilizados para conferir aroma e sabor
variam de acordo com a região, com o estilo planejado, com o grist de grãos
escolhido, com a preferência do público consumidor, mas é fato que existem “lúpulos
da moda”. Alguns exemplos de lúpulos que estão em alta (pelo menos quando
escrevo este texto) são o Citra, o Mosaic e o Nelson Sauvin.
As técnicas conhecidas e difundidas de utilização do lúpulo na fervura são:
As principais formas de comercialização dos lúpulos são:
o
90:
contém 90% dos componentes não resinosos encontrados nos lúpulos em flor.
Este é o tipo
mais comum e possui a composição dos óleos e alfa-ácidos semelhantes aos das
flores;
o
45:
é enriquecido com lupulina e moído a -30ºC, reduzindo a aderência da resina e
separando a lupulina da matéria fibrosa vegetal indesejada. São produzidos mais
frequentemente a partir de lúpulos de aroma e com baixo alfa-ácido. A vantagem é
que utiliza-se uma menor quantidade em relação ao pellet 90 para atingir o
mesmo grau de sabor e aroma;
o
30:
segue a mesma lógica dos demais, tendo ainda menor concentração de substâncias indesejadas
na composição;
o 30 Cryo-Hops: segue a mesma lógica que os demais, apenas possuindo lupulina e óleos essenciais altamente concentrados.
Após beneficiamento e
secagem, a umidade do lúpulo deve cair para 10%.
A cerveja é
geralmente engarrafada em vasilhames escuros, de cor âmbar, principalmente para
protege-la da ação da luz. O iso-alfa-ácido isohumulona presente na cerveja,
quando em contato com radiação ultra-violeta ou luz visível, está sujeito a uma
reação chamada lightstruck. Esta reação gera uma substância sulfurada,
considerada um off-flavor, chamada 3-Metil-2-buteno-1-tiol (3-MBT,
Figura 4) que possui um limiar de percepção sensorial muito baixo, sendo
perceptível mesmo em concentrações muito baixas (tecnicamente o sensorial treshold
deste off-flavor é de 4ppt). A principal forma de se evitar este tipo de
reação, conforme já adiantado, é acondicionar o líquido em recipientes protegidos
da luz. Em casos aonde os vasilhames sejam transparentes (verdes ou incolores),
a forma de se evitar o lightstruck é a utilização do tetrahop, uma
isohumulona hidrogenada estável a luz. Um efeito colateral positivo do tetrahop
é conferir maior estabilidade a espuma.
Figura 4. Representação gráfica da molécula de 3-MBT
Figura 5. Reação de irradiação da isohumulona e a
formação de 3-MBT
Esperamos que este
artigo sirva como guia para a utilização de lúpulos em suas receitas. A química
dos lúpulos está em constante evolução e a cada ano se sabe mais a respeito do
ingrediente. Muitos testes vem sendo feitos com relação aos terpenos para criar
aromas cada vez mais complexos e agradáveis. Além disso, a pesquisa do lúpulo está
dando passos promissores e importantes no combate ao câncer, ao HIV-1 e a
síndromes cerebrais e motoras. Estamos de olho e a cada novo avanço, falaremos
a respeito!
Enquanto isso, boa brassagem a todos!
E não se esqueçam: O PUNK NÃO MORREU!
Referências Bibliográficas
[1] Simmonds, P. L. (1877). Hops: their cultivation, commerce, and uses
in various countries. A manual of reference for the grower, dealer and brewer. E.
& F. N. Spon. New York: 446, Broome Street.
[2] Verzele, M. (1986). Centenary Review: 100 years of hop chemistry and
its relevance to brewing. J. Inst. Brew. January-February, Vol. 92, pp.
32-48
[3] Schönberger, C., Kostelecky, T. (2011). 125th Anniversary Review:
The Role of Hops in Brewing. J. Inst. Brew. 117(3), 259-267.
[4] Killeen, D. P., Watkins, O. C., Sansom, C. E., Andersen, D. H., Gordona, K. C., Perry, N. B. (2017). Fast Sampling, Analyses and Chemometrics for Plant Breeding: Bitter Acids, Xanthohumol and Terpenes in Lupulin Glands of Hops (Humulus lupulus). Phytochem. Anal. 28, 50–57. DOI 10.1002/pca.2642